segunda-feira, 13 de março de 2017

Sobre o que diz a sua música atual?



Já reparou que chega um ponto da sua vida onde basicamente nenhuma letra de música se encaixa no que você está vivendo? É como se fosse um limbo, onde nada é aplicado a você. Você vive e pronto. Já reparou? Eu sei que já. Isso geralmente acontece em momentos de extrema monotonia ou rotina constante. Você é um livre reprodutor das suas vontades motoras, um constante playback de espasmos corporais e mentais de tudo que você é acostumado a fazer no dia a dia. Fica tranquilo, uma hora passa. Mas ninguém te diz o seguinte: Não é mais fácil quando as letras de música dizem o que você não teve ouvidos para escutar.

não vai parar de ouvir essa música tão cedo.

 A verdade é que saber realmente o que sempre te incomodou, ou incomodava, não faz nenhuma diferença no que vai acontecer daqui para frente, apenas no que poderia ter acontecido no passado e se isso faria alguma diferença hoje, no presente. Hoje você já passou – bem ou mal – pelo problema, e a música vai ter um papel singular no seu dia, que é simplesmente te mostrar como você se sentiu naquele momento que passou. Claro, eu te entendo e sei que seria mais fácil ter ouvido isso antes, mas a vida prega peças em nós que, a graça toda é compreender depois que passou. Como a gente tira um aprendizado disso é uma tarefa que só cabe a nós descobrir. Cada um tem um jeito diferente de reagir, seja tirando a tal música no violão e provando para ela o quanto você pode domina-la e abdicar do seu significado para si mesmo, salvar no Spotity para lembrar todo dia que é assim que você se sente ou ignorar ou etc. De qualquer maneira a única saída é vencer a música. Sair da condição de presente instrumento para espectador. Um lugar onde você não vai fazer mais parte. Uma outra música, que talvez não seja uma que te diga agora o que você é, mas que talvez te de um spoiler de quem você quer ser ou como você quer estar. O problema está na melodia. Ela que é a responsável por te fazer balbuciar o som da canção e fazer automaticamente seu cérebro recordar a letra, e isso meu amigo, vai te fazer lembrar. Como fugir disso? Essa é uma boa pergunta, mas eu não sou perito na arte de esquecer canções. Hoje eu sou um mero companheiro de “prisão da música”, onde meu recente passado está sendo repetido diariamente para mim a cada play que eu dou em qualquer streaming. É quase uma tortura diária ouvir dos seus companheiros que sempre lhe dizem coisas legais no dia a dia, passarem a fazer essas “coisas legais” serem um chicote nas suas costas em cada nota tocada. A primeira coisa que vem na cabeça é “para de ouvir isso então”. Eu já tentei. Estou quase chegando na conclusão que, nesse ponto, somos sadomasoquistas musicais. Nós gostamos de tomar porrada das músicas. Parece que a gente acostuma tanto que, fazer com que as músicas tenham mais sentido, façam a dor ser compreendida, e era nesse ponto que eu queria chegar. Nós precisamos da dor. Ou pelo menos o arranhão na ferida para mostrar que é real e, que somos nós mesmos quem fazemos isso conosco. 

O que tiramos disso tudo? Não importa o que você faça para fugir daquilo que te prendeu ou te deixou num lugar onde você não queria estar, a resposta e o balde de água fria vai vir do lugar mais próximo de você, os seus fones de ouvido. Uma dica: sempre traduza as músicas que você gosta. Evite traduzir as de melodia triste, são elas que vão pra sua playlist depois.