sábado, 8 de dezembro de 2012

Recuperação


Em meio ao tédio e ao caos que flutua,
não penso em mais nada,
não existe mais nada.
Só eu e alguns pedaços de papel.

Meus olhos não distinguem mais,
não, como poderiam?
Exigidos como ar, uma hora se cansam.
Devem se cansar, pois ver tudo não é enxergar tudo.

Penso ainda mais naquilo que deveria ser feito, mas não foi.
Olha, já se passaram horas. Nem percebi.
Estive preocupado com outras coisas.

Bem antes do tédio, bem antes do caos.
A chuva me disse: "feche os olhos menino, chega de ver por hoje"
Assim eu fiz. Apaguei numa refrescante chuva de sábado a tarde.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Alma lavada


Primeiramente gostaria de agradecer o convite da Sara Tellado para participar da revista da ASCOMCER, que terá sua primeira edição em circulação nos próximos meses. Partindo do voluntariado, resolvi aceitar fazer as fotos para revista, visto que a instituição não tem fins lucrativos. Hoje fui lá fazer as fotos e em apenas 1 hora e meia, eu tomei um baque tão grande que fiquei minutos vagando em outro mundo e somente com o corpo no planeta em que vivemos.

Minha semana não foi mole. Para quem tinha a intenção de não pegar provas finais na faculdade inteira, pegar duas logo no segundo período estava totalmente fora dos meus planos. Além disso, outros problemas estavam agregados a mim e qualquer coisa me irritava. Discuti com meus melhores amigos e por pouco não fiz coisa pior. Será que isso tudo é muita coisa? Será que esses problemas de cotidiano, realmente são insuportáveis ou pesados demais para reclamarmos do jeito que reclamamos? Não sou hipócrita de falar que não reclamo aos quatro ventos quando fico assim, desestabilizado com alguma situação, mas quer saber de uma coisa? Somos verdadeiros idiotas quando fazemos isso, e sabe por quê? Porque além de tudo isso, temos saúde. Podemos ir correr no fim da tarde e liberar o stress. Podemos praticar natação no calor, só pra esquecer de alguns problemas. Podemos ainda pedalar, malhar e todas essas coisas que só uma boa saúde nos proporciona.

Estou falando isso, porque hoje de manhã, na ASCOMCER, passei por diversos setores e além da ótima infraestrutura do lugar, ainda podemos sentir a tristeza no ar pelos parentes que estão doentes. Passar na frente da pediatria chega a ser cruel. Entrar na sala de quimioterapia então é uma coisa que eu não sei descrever. Bate um nó na garganta, uma vontade de chorar, mesmo que não haja parente seu ali dentro. Me sensibilizei e acho que todo ser humano deve passar por essa experiência de ir num lugar como esse, pra ver que nossos problemas não chegam nem perto dos problemas de algumas pessoas. Não falo por olhar pra mim e falar “nossa como eu sou jovem e não tenho nenhum problema de saúde”, é de olhar para os outros e pensar “Eles poderiam estar sorrindo”. Olhar uma criança com 5 anos que luta contra uma leucemia há 5 meses machuca. Conversar com uma mulher que faz a sétima quimioterapia e ainda conserva um sorriso no rosto é uma emoção ainda maior. Teve uma hora que tirando as fotos dela, eu a vi lendo um livro que se chamava “Oração”. Seria a fé o motivo do sorriso dela? Chamada para fazer umas fotos para a revista ela nos atendeu super bem e ainda se maquiou falando docemente, “A gente fica meio pálida assim no tratamento mesmo, mas nada que um batom bonito não resolva”. Eu choro nesse momento. Ela diz que depois de algum tempo, elas se acostumam com isso e percebem os resultados do tratamento. Ela não está mais em depressão como a alguns meses atrás, diferente de algumas pessoas que estão lá pela primeira vez. São verdadeiros Guerreiros e Guerreiras. Lutadores de verdade que merecem um cinturão por cada batalha vencida. Só tenho que agradecer por essa manhã.

Foi uma ótima oportunidade de aprendizado pessoal e espero fazer voluntariado nessa área mais vezes. Aos que se viram no meu primeiro exemplo de “reclamões gratuitos”, vai uma dica: Seus problemas não são os maiores do mundo, sensibilize-se. Há muitas outras pessoas precisando apenas de um gesto de carinho. A foto a seguir é da minha visita com o Dr. Alexandre do Hospital ASCOMCER. Novamente agradeço a Sara pelo convite e pela limpeza da alma.
Dr. Alexandre e eu na visita à ASCOMCER

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Esse não é um pedido de desculpas


Difícil começar um texto pelo que ele não é. Eu tenho milhares de coisas passando pela minha cabeça agora. Poderia falar sobre tudo, mas vou falar sobre o que não estou querendo. Esse texto então, não será sobre o que eu não tenho no momento. 
Eu não tenho vontade de conversar. Por um dia, eu queria somente o silêncio. Nem falar eu queria. Barulhos, ruídos, vozes incessantes, críticas, piadas, cobranças, ah...barulho. Eu não tenho vontade de escutar. Eu não tenho vontade de tocar. As notas já estão me irritando. Cada nota igual me mostra o despreparo e a falta de criatividade técnica de não ter técnica pra criar. Casa música igual cansa meus ouvidos mais ainda e já foi o tempo que música me trazia alguma coisa senão...barulho. O barulho me irrita. Me irrita tanto quanto a discordância. Me irrita tanto quanto a falta de bom senso. Me irrita mais do que a falta de assunto, porque nessa há pelo menos o silêncio. Viadice me irrita. Antes que seja criticado por homofobia, isso não tem a ver com homossexualismo. Viadinho é aquele que faz cu doce. É aquele que acha bonitinho falar fino. É o que enche o saco por nada e só quer aparecer. Mas nem desse estou falando, estou falando de viadice de homem. O pobre coitado. Odeio isso. Eu não tenho vontade de ver. Cada dia meus olhos só me mostram o que eu não quero enxergar. Vejo um bando de idiotas disfarçados de inteligentes com acesso à internet. Vejo um monte de pseudo-homens, pseudo-mulheres, pseudo-drogados, pseudo-cultos e vagabundos. Vagabundos é o que eu mais vejo. Vejo idiotas se fazendo de mais idiotas ainda e os que pareciam inteligentes virarem idiotas por conta de idiotas. Idiotice é praga. Eu não sinto vontade de cheirar, Os perfumes já se confundiram. Não sei de quem é. Só sinto o meu. Meu perfume que vem mudando de um tempo pra cá e não sei mais qual estou usando. Acho que fui contaminado pela minha própria fragrância. Foi eu quem decidiu trocar. Não queria mais usar aquele velho que me acompanhava desde sempre. Queria algo mais poderoso, algo que deixasse para trás aquela lembrança de quem eu era. Funcionou, mas não do jeito que eu queria. Eu...perdi o controle e...bati. Bati de frente com meu antigo perfume no meu travesseiro. O mesmo do qual eu encosto a cabeça todos os dias para me livrar do mundo. Eu lembrei de uma cor especial. Vermelho. Me lembra principalmente a cor do seu cabelo. Aquele que é o motivo das minhas piadas mais horríveis. O que faz eu perder o poder e ouvir ao invés de falar. De olhar ao invés de escrever. E lembrei que é o principal motivo de eu ter mudado. O vermelho aparentemente é mais forte. Foi mais forte. Me fez lembrar do meu perfume. De como ele era doce e trazia conforto. Esse perfume forte de hoje só é necessário pra mostrar força e presença. Não, não serve pra mim. Não se muda a natureza como se muda de perfume. Fui contaminado por um cheiro que me deixou em transe, mas não foi capaz de me deixar sem os sentidos. Se o fizesse, estaria feliz. Não precisaria ouvir, tocar, olhar, cheirar...muito menos sentir o gosto. Sim...o gosto. Não quero sentir o gosto. Estou dividido entre os gostos e não sei se prefiro carne ou verdura. Essa é a diferença entre o que eu ando provando. Não gostaria de ter que decidir o que comer daqui pra frente. Por hora, amargo, é o que eu sinto. 
Quer saber, essa fragrância e forte de mais pra mim, está na hora de abrir o guarda roupas e pegar o antigo de volta, mas antes preciso dormir e tomar um banho pra esse cheiro forte passar. Chega dos meus 5 sentidos por hoje. O que eu quero? Apenas descansar.