terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Esse não é um pedido de desculpas


Difícil começar um texto pelo que ele não é. Eu tenho milhares de coisas passando pela minha cabeça agora. Poderia falar sobre tudo, mas vou falar sobre o que não estou querendo. Esse texto então, não será sobre o que eu não tenho no momento. 
Eu não tenho vontade de conversar. Por um dia, eu queria somente o silêncio. Nem falar eu queria. Barulhos, ruídos, vozes incessantes, críticas, piadas, cobranças, ah...barulho. Eu não tenho vontade de escutar. Eu não tenho vontade de tocar. As notas já estão me irritando. Cada nota igual me mostra o despreparo e a falta de criatividade técnica de não ter técnica pra criar. Casa música igual cansa meus ouvidos mais ainda e já foi o tempo que música me trazia alguma coisa senão...barulho. O barulho me irrita. Me irrita tanto quanto a discordância. Me irrita tanto quanto a falta de bom senso. Me irrita mais do que a falta de assunto, porque nessa há pelo menos o silêncio. Viadice me irrita. Antes que seja criticado por homofobia, isso não tem a ver com homossexualismo. Viadinho é aquele que faz cu doce. É aquele que acha bonitinho falar fino. É o que enche o saco por nada e só quer aparecer. Mas nem desse estou falando, estou falando de viadice de homem. O pobre coitado. Odeio isso. Eu não tenho vontade de ver. Cada dia meus olhos só me mostram o que eu não quero enxergar. Vejo um bando de idiotas disfarçados de inteligentes com acesso à internet. Vejo um monte de pseudo-homens, pseudo-mulheres, pseudo-drogados, pseudo-cultos e vagabundos. Vagabundos é o que eu mais vejo. Vejo idiotas se fazendo de mais idiotas ainda e os que pareciam inteligentes virarem idiotas por conta de idiotas. Idiotice é praga. Eu não sinto vontade de cheirar, Os perfumes já se confundiram. Não sei de quem é. Só sinto o meu. Meu perfume que vem mudando de um tempo pra cá e não sei mais qual estou usando. Acho que fui contaminado pela minha própria fragrância. Foi eu quem decidiu trocar. Não queria mais usar aquele velho que me acompanhava desde sempre. Queria algo mais poderoso, algo que deixasse para trás aquela lembrança de quem eu era. Funcionou, mas não do jeito que eu queria. Eu...perdi o controle e...bati. Bati de frente com meu antigo perfume no meu travesseiro. O mesmo do qual eu encosto a cabeça todos os dias para me livrar do mundo. Eu lembrei de uma cor especial. Vermelho. Me lembra principalmente a cor do seu cabelo. Aquele que é o motivo das minhas piadas mais horríveis. O que faz eu perder o poder e ouvir ao invés de falar. De olhar ao invés de escrever. E lembrei que é o principal motivo de eu ter mudado. O vermelho aparentemente é mais forte. Foi mais forte. Me fez lembrar do meu perfume. De como ele era doce e trazia conforto. Esse perfume forte de hoje só é necessário pra mostrar força e presença. Não, não serve pra mim. Não se muda a natureza como se muda de perfume. Fui contaminado por um cheiro que me deixou em transe, mas não foi capaz de me deixar sem os sentidos. Se o fizesse, estaria feliz. Não precisaria ouvir, tocar, olhar, cheirar...muito menos sentir o gosto. Sim...o gosto. Não quero sentir o gosto. Estou dividido entre os gostos e não sei se prefiro carne ou verdura. Essa é a diferença entre o que eu ando provando. Não gostaria de ter que decidir o que comer daqui pra frente. Por hora, amargo, é o que eu sinto. 
Quer saber, essa fragrância e forte de mais pra mim, está na hora de abrir o guarda roupas e pegar o antigo de volta, mas antes preciso dormir e tomar um banho pra esse cheiro forte passar. Chega dos meus 5 sentidos por hoje. O que eu quero? Apenas descansar.

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