quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Alma lavada


Primeiramente gostaria de agradecer o convite da Sara Tellado para participar da revista da ASCOMCER, que terá sua primeira edição em circulação nos próximos meses. Partindo do voluntariado, resolvi aceitar fazer as fotos para revista, visto que a instituição não tem fins lucrativos. Hoje fui lá fazer as fotos e em apenas 1 hora e meia, eu tomei um baque tão grande que fiquei minutos vagando em outro mundo e somente com o corpo no planeta em que vivemos.

Minha semana não foi mole. Para quem tinha a intenção de não pegar provas finais na faculdade inteira, pegar duas logo no segundo período estava totalmente fora dos meus planos. Além disso, outros problemas estavam agregados a mim e qualquer coisa me irritava. Discuti com meus melhores amigos e por pouco não fiz coisa pior. Será que isso tudo é muita coisa? Será que esses problemas de cotidiano, realmente são insuportáveis ou pesados demais para reclamarmos do jeito que reclamamos? Não sou hipócrita de falar que não reclamo aos quatro ventos quando fico assim, desestabilizado com alguma situação, mas quer saber de uma coisa? Somos verdadeiros idiotas quando fazemos isso, e sabe por quê? Porque além de tudo isso, temos saúde. Podemos ir correr no fim da tarde e liberar o stress. Podemos praticar natação no calor, só pra esquecer de alguns problemas. Podemos ainda pedalar, malhar e todas essas coisas que só uma boa saúde nos proporciona.

Estou falando isso, porque hoje de manhã, na ASCOMCER, passei por diversos setores e além da ótima infraestrutura do lugar, ainda podemos sentir a tristeza no ar pelos parentes que estão doentes. Passar na frente da pediatria chega a ser cruel. Entrar na sala de quimioterapia então é uma coisa que eu não sei descrever. Bate um nó na garganta, uma vontade de chorar, mesmo que não haja parente seu ali dentro. Me sensibilizei e acho que todo ser humano deve passar por essa experiência de ir num lugar como esse, pra ver que nossos problemas não chegam nem perto dos problemas de algumas pessoas. Não falo por olhar pra mim e falar “nossa como eu sou jovem e não tenho nenhum problema de saúde”, é de olhar para os outros e pensar “Eles poderiam estar sorrindo”. Olhar uma criança com 5 anos que luta contra uma leucemia há 5 meses machuca. Conversar com uma mulher que faz a sétima quimioterapia e ainda conserva um sorriso no rosto é uma emoção ainda maior. Teve uma hora que tirando as fotos dela, eu a vi lendo um livro que se chamava “Oração”. Seria a fé o motivo do sorriso dela? Chamada para fazer umas fotos para a revista ela nos atendeu super bem e ainda se maquiou falando docemente, “A gente fica meio pálida assim no tratamento mesmo, mas nada que um batom bonito não resolva”. Eu choro nesse momento. Ela diz que depois de algum tempo, elas se acostumam com isso e percebem os resultados do tratamento. Ela não está mais em depressão como a alguns meses atrás, diferente de algumas pessoas que estão lá pela primeira vez. São verdadeiros Guerreiros e Guerreiras. Lutadores de verdade que merecem um cinturão por cada batalha vencida. Só tenho que agradecer por essa manhã.

Foi uma ótima oportunidade de aprendizado pessoal e espero fazer voluntariado nessa área mais vezes. Aos que se viram no meu primeiro exemplo de “reclamões gratuitos”, vai uma dica: Seus problemas não são os maiores do mundo, sensibilize-se. Há muitas outras pessoas precisando apenas de um gesto de carinho. A foto a seguir é da minha visita com o Dr. Alexandre do Hospital ASCOMCER. Novamente agradeço a Sara pelo convite e pela limpeza da alma.
Dr. Alexandre e eu na visita à ASCOMCER

2 comentários:

  1. Sensacional... Problemas, todos temos! A importância que damos é que faz deles grandes ou pequenos!

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